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Agosto 10, 2005

A nossa relatividade (ep. I)

Não é que ele o tenha abandonado, nem sequer acreditara que ele tivesse desistido de lutar, mas havia algo de estranho na sua súbita “interrupção de vida”.
A ideia de “interrupção” sempre foi sua e não dele, porque haveria ele de tomar a decisão? Esta sensação mista de curiosidade e mágoa, de saudade e ódio não o abandona por mais que o tempo passe, e é sabido que ele, o tempo, apaga tudo. Será que apagou?
190 m é quanto mede a “interrupção desta vida”, curioso que as “interrupções de vida” podem ser definidas de vários modos, assim como a relatividade do tempo (não a de Einstein, mas a dos estados de espírito) nos faz pensar que um minuto não é necessariamente um minuto mas sim um beijo, um abraço, um momento de euforia ou mesmo de agonia, também a “interrupção de vida” pode ser os metros que caímos, o tempo que demorámos a fechar os olhos, a quantidade de comprimidos que ingerimos, a agonia ou mesmo a euforia que sentimos nesse momento, mas acima de tudo é o darmos a um sitio, a um determinado momento no tempo o nosso nome e tudo o que somos.
Comecei por querer contar-vos a história de alguém que decidiu dar o nome ao tempo e da forma como isso afectou um amigo, pois bem… Não há muito que dizer sobre isso… O amigo tentou por duas vezes dar o seu nome ao tempo, mas o tempo não o quis, porque isto de nomear o tempo não é para quem quer, é para quem o tempo deixa.